Madonna Lacrimosa I
Este segundo ano de pandemia trouxe demasiadas lágrimas. Afectou todos, em particular e desproporcionalmente os mais vulneráveis habitantes do mundo, pobres, mulheres, crianças, minorias, idosos, migrantes e refugiados. Não ajudou que houvesse as secas e tempestades agravadas pelas alterações climáticas, novos comportamentos beligerantes entre Estados (guerras, massacres étnicos e invasões), o aumento da fome extrema e a consolidação da extrema-direita através da sua normalização por parte da direita dita moderada.
No entanto, esta publicação será sobre as lamentações duma direita que não se sabe orientar e, em particular, sobre um temido fim do ex-Centro Democrático e Social, conhecido como Partido Popular (CDS-PP), havendo posteriormente uma segunda publicação acerca do Partido autoproclamado "Socialista", o chumbo do OE 2022 e a sua sabotagem da geringonça.
Uma curtíssima história do CDS-PP
O que mudou recentemente?
Uma mudança no panorama geral da direita, não só portuguesa, mas global. Tornou-se mais reaccionária, até proto-fascista, normalizando comportamentos autoritários.
No CDS, saiu da liderança o populista Paulo Portas pela segunda vez (tinha sido presidente do partido entre 22/3/1998-24/4/2005, regressou a 21/4/2007) a 13/3/2016, sendo sucedido por Assunção Cristas, o seu braço direito, cujo segundo lugar na CML com as autárquicas de 2017 inflacionou o ego ao ponto de levar o partido altamente dependente da subvenção do Estado e de borlas da Igreja às dificuldades financeiras e crise interna. Em 26/1/2020, toma posse Francisco Rodrigues dos Santos, até então líder da jota partidária, que teve de lidar com a fuga de militantes e votos para os recém-formados Chega (que lhes retirou a ala ultraconservadora) e IL (que lhes retirou a ala neoliberal) para além da crise financeira interna.
Com isto, surge o reaccionário Nuno Melo, o eurodeputado português mais faltoso, a fazer consecutivamente golpes internos no partido, para tentar atingir aquilo que nunca conseguiu: a liderança do partido. É neste cenário de crise interna que se encontram: vazios de ideologia, sob o perigo da extinção ou radicalização e com manipulações internas dum incompetente.
E então?
Nisto, aparecem os comentadores políticos do PS e PSD a lamentar-se da situação do partido que lhes ajuda, para além dos comentadores do próprio partido, que existem em demasiado número face à sua presença política (em detrimento do BE, PCP e até o PEV neste género de painéis). Para estes é um horror o hipotético fim do partido.
Um partido tão abjecto, pejado de reaccionários e preso no passado não deve ter lágrimas de ninguém com o seu fim, tirando betos e a Igreja. O seu hipotético fim deve ser celebrado por quem se diz de esquerda (naturalmente, o PS não está incluído na esquerda), e combater os seus órfãos e partidos sucessores mais activamente.
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