O culto neoliberal
Estamos em campanha eleitoral. Há quem faça questionários por telefone a 150 pessoas todos os dias e considere que é uma sondagem válida (não é à toa que as sondagens passam por um tratamento aprofundado de dados e saírem duas semanas ou até um mês depois com uma amostra muito maior), há quem se dedique ao Spin (principalmente o P"S", que culpa a esquerda parlamentar com quem recusou negociar o orçamento de 2022 e assinar acordos em 2019 como Cavaco havia colocado como condição em 2015, o PSD, que insiste em branquear o fascismo, elogiando o sistema judicial do Estado Novo e fingir que não fará acordo com o partido inconstitucional número 3, e a IL) e há quem tenha mandado o facho low-cost ir para um sítio que lá se sabe.
Mas hoje importa descortinar a seita fanática neoliberal, claramente comparável aos fascistas dos três partidos inconstitucionais na sua ameaça à democracia nacional.
A seita política
Esta excrescência política partilha com o partido inconstitucional número 3 e com o Aliança as origens nos herdeiros da União Nacional/Acção Nacional Popular (PPD/PSD e CDS-PP), surgindo após a queda de Passos e do Portas, sendo autênticos passistas. Englobou bloggers de extrema-direita (autoproclamados "libertários"), passistas desiludidos com as derrotas da ala para RR e dissidentes do CDS-PP pós-Portas.
Estes neoliberais fanáticos têm como "profetas" Mises (assessor económico do líder fascista austríaco Engelbert Dollfuss até o seu assassinato em 1934), Hayek (assessor anti-semita de Thatcher e elogiador do Estado Novo), Friedman (assessor de Pinochet), Rothbard (racista, anti-semita e negacionista), Reagan, Churchill e Thatcher (todos racistas, homofóbicos e beligerantes).
A fé é particularmente forte na "mão invisível", isto é, num mercado que se regula a si próprio (mitologia descredibilizada em 1944 por Karl Polanyi), na falsa "liberdade de escolha", em que o Estado desperdiça recursos próprios para benefício do sector privado na Saúde e Educação (omitindo a especulação de preços que se seguiria e o estabelecimento de critérios arbitrários para limitar o acesso, como propuseram o endividamento dos estudantes universitários, à EUA), no "trickle-down", em que a redução fiscal dos poderosos fará com que o dinheiro desça miraculosamente para todos (ocultando que não haverá incentivo nenhum para os ricos redistribuírem rendimentos, sendo mais barato para eles manterem salários baixos e equipamentos mínimos, isto é, a desigualdade social aumenta, propondo abolir o salário mínimo nacional) e no Estado mínimo, em que fica tudo à mercê do mercado excepto, em princípio, a segurança pública, a justiça e a defesa (ignorando como o Estado teria uma quebra de receitas com a redução fiscal dos ricos, impedindo de haver um bom funcionamento quer do sistema dos "cheques-ensino" e "cheque-saúde" quer dos poucos serviços que o Estado mantivesse, ficando os pobres a pagar as perdas).
IURDismo ou IL, SA
Sim, tal como a organização criminosa disfarçada de culto religioso, o culto neoliberal detém organismos de comunicação social, como o jornal digital generalista Observador, que dá carta branca a cronistas de extrema-direita, revisionistas históricos e crentes neoliberais, e o jornal digital económico Eco, que age como o braço legitimador das teorias fanáticas da seita.
A isto acrescentam-se as associações ditas "apolíticas", que não são nada mais nada menos do que organismos de propaganda e de infiltração social, destacando-se o +Liberdade, que tem como objectivo ser uma espécie de PragerU na desinformação, ao ponto de inventarem índices recorrendo a outros organismos similares da mesma ideologia fanática, que inventam os seus próprios índices, como o Cato Institute, a Heritage Foundation, Mises Institute ou a PragerU, misturando estatísticas de organismos reais como INE, Eurostat, OCDE, BCE, FMI e Banco Mundial para parecerem credíveis. Outros organismos são o Instituto Mises Portugal (a filial portuguesa do Mises Institute), o Movimento Europa e Liberdade, onde a direita e a extrema-direita se juntam em conferências para esta ser normalizada por aquela com a inclusão da sua retórica e ataques aos direitos básicos, o Fórum para a Competitividade, eterno organismo do patronato anti-aumento do salário mínimo e dos direitos dos trabalhadores.
Posto isto,
Têm amigos poderosos, tal como os fascistas, e estão disponíveis para voltar a 23 de Abril de 1974. Algo que é reforçado pelo comportamento de matilha nas redes sociais sempre que são criticados e o recurso a bots para aumentar interacções. Para não falar de dirigentes negacionistas da pandemia, retórica anti-ciência, homofobia e até racismo.
Recomendo a leitura dos seguintes artigos que reiteram este posicionamento:
https://www.publico.pt/2022/01/23/opiniao/opiniao/neoliberalismo-portuguesa-i-1992710
https://www.publico.pt/2022/01/24/opiniao/opiniao/neoliberalismo-portuguesa-ii-1992745
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